quinta-feira, 1 de junho de 2017

ATOS DOS APÓSTOLOS – 14º ATO – A DIÁSPORA CRISTÃ – ATOS 8.1-3


O versículo 58 do capítulo 7 do livro de Atos dos Apóstolos é a primeira referência a Saulo na Bíblia. O texto diz: “E, lançando-o fora da cidade, o apedrejaram. As testemunhas deixaram suas vestes aos pés de um jovem chamado Saulo”.

Saulo possivelmente assistiu o interrogatório de Estevão e também o seu depoimento em forma de defesa. Saulo era um Fariseu, doutor da Lei e com grande probabilidade compunha o Sinédrio naquele inquérito e julgamento.

Sem que houvesse a declaração formal de um veredito, aqueles que ouviram a autodefesa de Estevão se encheram de furor o que acabou resultando em sua morte por apedrejamento. Lucas começa o capítulo 8 dizendo pura e simplesmente: “E Saulo consentia na sua morte”.

Podemos supor que Saulo podia de certa forma evitar tal acontecimento? Não sabemos ao certo, mas com certeza ele concordava com o que foi feito. Os versículos mais a frente com especial atenção ao 3 deixa isso claro. Diz o texto que Saulo assolava a Igreja, que ele entrava na casa de cristãos e os arrastava, tanto homens como mulheres, para fora e os prendia por causa de sua fé.  Lucas retrata essa ocorrência como grande perseguição.  Muitos cristãos saíram de Jerusalém temendo por suas vidas. Apenas os apóstolos ficaram em Jerusalém.

Precisamos estar atentos a algumas questões aqui. A primeira delas tem a ver com a facilidade com que as multidões mudam de sentimento. O contexto anterior, mais precisamente falando, Atos 6.8, mostra que Estevão gozava com a admiração do povo. Veja o que Lucas escreveu: “Estevão, cheio de graça e poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo”. Entendemos que ele era acolhido pelo povo e que livremente fazia prodígios e sinais. A inveja e os ciúmes de alguns religiosos foram responsáveis pelo seu aprisionamento baseado em falso testemunho. Mas esse mesmo povo pode ter, indireta ou diretamente, participado de seu apedrejamento. Assim foi com Jesus; quando entrou em Jerusalém foi ovacionado e depois de ter sido condenado pelos religiosos e por Pilatos, acabou sendo crucificado. A multidão que uma semana antes o recebia de braços abertos em sua entrada em Jerusalém, agora prefere a um criminoso, (Barrabás), e exige sua crucificação além de lhe lançar em rosto alguns impropérios.

A segunda questão para a qual devemos dar nossa atenção aqui tem a ver com Saulo. Não devemos ser muito duros em julgar as atitudes dele. Devemos entender que Saulo, como judeu e fariseu, entendia que o cristianismo representava um perigo para a religião dos seus antepassados, o judaísmo. Ele estava disposto a fazer de tudo para evitar a extinção do judaísmo já que ele era testemunha do avanço do cristianismo primordialmente em Jerusalém. Até aqui o historiador Lucas retrata a Igreja cristã na cidade de Jerusalém se não totalmente, com certeza em sua massacrante maioria composta de judeus convertidos do judaísmo ao cristianismo. A leitura dos relatórios que Lucas oferece em alguns trechos do livro de Atos nos mostra o avanço do cristianismo, primordialmente, na capital religiosa dos judeus, Jerusalém.

Assim, Saulo era coerente com sua religião e perseguir os cristãos parecia ser algo perfeitamente plausível ainda mais para a mente de um fariseu como ele. Alguém assim bem que poderia ser um instrumento poderoso nas mãos de Deus.

Outra questão tem a ver com a expansão do cristianismo. Jesus havia dito em Atos 1.8: “...mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda Judéia e Samaria e até os confins da terra”. O que vemos nos primeiros três versículos de Atos 8 não é outra coisa se não a ação do Soberano e Providente Deus na condução do curso da história do evangelho de Cristo Jesus e do cristianismo. Se os gentios fossem depender de uma disposição dos próprios judeus convertidos do judaísmo ao cristianismo, um ato de inserção voluntária, missionária no mundo gentílico, com grande probabilidade isso redundaria em grandes lutas, dissenções, e conflitos. Deus move as peças no tabuleiro da história usando, em princípio um inimigo da Igreja, um homem poderoso em suas palavras e intrépido em suas ações. Com a morte de Estevão aquilo que poderia ser entendido como um momento de provação para os cristãos de Jerusalém se constituiu em uma ação Divina para que o expansão proclamadora do evangelho se cumprisse como que Jesus disse em Atos 1.8.

CONCLUSÃO E APLICAÇÃO.

1.   Não se deve confiar nas multidões. A multidão é uma massa facilmente manipulada emocionadamente. Na multidão cada um cede sua personalidade para compor a personalidade e a psique da multidão. Jesus evitou as multidões. Fico boquiaberto e atônito ao ver como alguns Pastores se deixam seduzir pela ideia de grandes Igrejas.  Grandes Igrejas se tornam em ambientes impessoais. Grandes Igrejas se tornam em uma grande dificuldade para o trato e o relacionamento Pastoral. Claro e óbvio que há exceções, mas o ideal é que as Igrejas locais se constituam em um número suficiente de membros que dê a comunidade o suficiente para gerir sua vida financeira, administrativa e principalmente espiritual.

2.  Saulo (ANTES DE SE TORNAR PAULO) representa hoje, a muitos que se opõem ao Evangelho. Não devemos olhar para estes com o mesmo sentimento que habitava o coração de Ananias (Atos 9.13-19). Deus é poderoso para agir nos corações. Não tenho nenhuma dúvida em afirmar (se for possível perguntarei a esse respeito ao Apóstolo Paulo), que o testemunho em forma de defesa de Estevão produziu um grande impacto em sua vida. Vivamos como Estevão de tal maneira que muitos que hoje nos humilham e nos perseguem, um dia poderão ser convertidos e formarem fileiras conosco na Santa Porfia.

3.   Jamais nos esqueçamos que a aparente tragédia, que aquilo que hoje pode representar duro golpe contra o Evangelho e o Cristianismo pode ser um ato no qual as mãos divinas estão movendo peças, poderosamente, e levando o evangelho para outros lugares. A diáspora cristã não foi outra coisa se não a ação de Deus em fazer com que Atos 1.8 se tornasse um ato a mais nos Atos dos Apóstolos e na história gloriosa do cristianismo.

Que cada um de nós esteja atento à história. Aquilo que fazemos hoje será lembrado e, quem sabe, lido no futuro como lindas lições de como Deus usou nossas vidas para alcançar outras vidas para povoar o Novo Céu e a Nova Terra.

Com carinho.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

SEJA BEM-VINDO E BOA LEITURA!

Fico feliz em que você visite o Blog Conteúdo. Faço parte dessa comunidade de gente que gosta de escrever e expor o que escreve sem nenhum receio de ser lido e contestado. Fique a vontade nessa minha sala de leitura. Espero, sinceramente, que meus escritos ajudem você de alguma maneira, mas principalmente do ponto de vista espiritual. Se você quiser me ajudar ore por mim e peça a Deus que me mantenha firme na fé cristã. Se você não é um cristão como eu, eu gostaria de conhecer você e falar para você sobre minha fé. É só ir na seção dos comentários e fazer contato.

Um abraço.


FAMÍLIA.....

FAMÍLIA.....
O MAIOR PATRIMÔNIO DE UM HOMEM É SUA FAMÍLIA

FILHOS

FILHOS
QUERIDOS