terça-feira, 13 de junho de 2017

ATOS DOS APÓSTOLOS – 16º ATO – SAULO ANTES DE SER PAULO – Atos 9.1-19


Um dos maiores personagens da história do Cristianismo é o Apóstolo Paulo. Isso é indiscutível

Ele é considerado uma das mentes mais brilhantes da história da humanidade.

A forma como ele é inserido na história do cristianismo e como ele levou o cristianismo à Ásia Menor e à Europa é assunto assaz empolgante.

Saulo nasceu na cidade de Tarso. Seus pais eram hebreus (judeus, israelitas) e provavelmente tenham nascido em solo israelita. 

Tarso era uma cidade no país que hoje é a Turquia. Ela estava localizada na região da Cilicia. Era uma cidade que gozava o status de cidade romana. No século 1 d.C., Tarso foi a principal cidade da Cilicia, e possuía importante riqueza comercial e agrícola. Tarso também era um importante centro cultural e intelectual, possuindo uma grande universidade da época que a equiparava com outras cidades como Atenas e Alexandria. A cidade de Tarso também se orgulhava por ter muitos eruditos importantes da época entre seus cidadãos. Embora muitas escavações já tenham sido realizadas na região de Tarso, até agora muitos detalhes ainda impedem que a cidade dos dias de Paulo seja recriada com exatidão. As ruínas da antiga Tarso encontram-se debaixo da cidade atual e de fazendas da região.

Na lei judaica, um garoto deveria iniciar seus estudos das Escrituras aos cinco anos de idade e aos dez anos devia estudar as tradições legais. Aos treze anos um garoto se tornava um bar mitzvah (“filho do mandamento”), período no qual ele se tornava emancipado diante da lei e os garotos mais promissores eram levados para as escolas e colocados aos pés dos Rabinos, mestres mais capazes.

Assim, com grande probabilidade, foi com essa idade, ou um pouco mais maduro, que Paulo foi para Jerusalém. Provavelmente sua irmã o tenha acolhido nessa cidade no período de sua formação. Podemos supor que os pais de Saulo tinham posses.

Além dos estudos na Torá e todos os demais aparatos culturais do povo, Saulo também aprendeu uma profissão que era de fazedor de tendas. Para os dias atuais essa profissão talvez não tenha a dignidade que tinha naqueles dias. Era costume dos pais judeus oferecer ensino formal aliado à instrução em uma profissão. Havia um conceito de que se um pai não ensinasse a seu filho uma forma de trabalho com a qual ele iria ganhar seu pão, ele estaria ensinando seu filho a roubar.

Saulo, então, foi criado e instruído nas Escrituras, na tradição dos seus antepassados e tinha uma profissão digna com a qual adquiria os meios para sua subsistência.

O que podemos saber a respeito de Paulo é mais bem descrito por ele mesmo no clássico texto de Filipenses 3.2-11 onde lemos: Acautelai-vos dos cães! Acautelai-vos dos maus obreiros! Acautelai-vos da falsa circuncisão! Porque nós é que somos a circuncisão, nós que adoramos a Deus no Espírito, e nos gloriamos em Cristo Jesus, e não confiamos na carne. Bem que eu poderia confiar também na carne. Se qualquer outro pensa que pode confiar na carne, eu ainda mais: circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; quanto à lei, fariseu, quanto ao zelo, perseguidor da igreja; quanto à justiça que há na lei, irrepreensível. Mas o que, para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo. Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo e ser achado nele, não tendo justiça própria, que procede de lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé; para O conhecer, e o poder da sua ressurreição, e a comunhão dos seus sofrimentos, conformando-me com ele na sua morte; para, de algum modo, alcançar a ressurreição dentre os mortos”.

Saulo, portanto, no judaísmo, era um fariseu. Era um doutor da lei. A aversão do judeu e, principalmente do fariseu, a respeito do gentio (gentio = quem não é judeu), é notável. Um fariseu considerava o gentio como combustível para o fogo do inferno. Os problemas de relacionamento entre os judeus e os samaritanos se acentuaram ao longo dos séculos por conta de que estes assimilaram muito rapidamente a cultura gentílica enquanto os judeus ofereciam maior resistência.

O que estou tentando fazer nesse meu escrito não é justificar os atos de Saulo contra a Igreja como vemos descrito no texto de Atos 9.1,2. O que pretendo é mostrar ao leitor as razões que levaram Saulo a se opor ao cristianismo de forma tão violenta. Saulo entendia que o cristianismo era uma heresia que precisava ser erradicada. Saulo via no cristianismo um enorme perigo contra o judaísmo. E ele era um homem obstinado!

Homens com esse perfil tendem a ser uma maldição ou uma grande benção. Você não pode deixar de admitir que pessoas como Hitler, Stalin, Gandhi, Golda Meir, M. Tatcher, W. Churchill, José, Moisés, e tantos outros, não foram obstinados. Sim foram! Notadamente foram. E Saulo era assim; um homem obstinado e convicto de que deveria acabar de vez com o cristianismo. Talvez ele não tenha ouvido o conselho de Gamaliel, seu mestre, quando do inquérito dos apóstolos no Sinédrio disse: Agora, vos digo: dai de mão a estes homens, deixai-os ir; porque, se este conselho ou esta obra vem de homens perecerá; mas, se é de Deus, não podereis destruí-los, para que não sejais, porventura, achados lutando contra Deus”. (Atos 5.38,39)

No texto que lemos vemos com que violência Saulo investe contra os cristãos. Se fosse preciso ele os mataria ou seria conivente com a morte deles.

Não sabemos ao certo se sua viagem a Damasco era especificamente para identificar cristãos e prendê-los, pelo qual pediu cartas para serem levadas às Sinagogas daquela cidade, ou se ele tinha uma viagem para lá e resolveu aproveitar a oportunidade para fazer isso. O que sabemos ao certo é que, fosse qual fosse o motivo, ou motivos pelos quais Saulo se dirigia à Damasco, Deus tinha outros planos para ele. E como disse Jó, depois de sua experiência com Deus: Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado”. Jó 42.2 O que sabemos ao certo é que já havia cristãos em Damasco. O evangelho já havia chegado “aos confins da terra”.

Saulo chega a Damasco, mas de uma forma acentuadamente diferente. Ele agora é, aquilo que ele persegue – um cristão. Ele que conduzia, agora é conduzido por mãos de membros de sua comitiva. Uma luz brilhou no céu e ao seu redor. Saulo caiu ao chão e uma voz lhe disse: “Saulo, Saulo, porque me persegues?

Saulo pergunta quem era que falava com ele, e a resposta é: Eu sou Jesus, a quem tu persegues, mas levanta-te e entra na cidade, onde te dirão o que te convém fazer”.  Quanta mudança em um ato só: muda-se o homem – muda-se sua agenda! Irresistível salvador esse Jesus!

Seus companheiros ouviram uma voz, mas eles mesmos não viram ninguém. O texto não diz que Saulo viu, mas parece que somente ele entendeu o que Jesus lhe disse. Ele se levantou cegado pela luz e seus companheiros o guiaram até seu destino e lá ele ficou três dias sem ver e sem comer e nem beber absolutamente nada.

Como já nos referimos, o evangelho já havia frutificado em Damasco e ali havia um discípulo de Jesus de nome Ananias a quem Deus ordenou e convence a que fosse ao encontro de Saulo. A fama de perseguidor de cristãos de Saulo já era conhecida e foi preciso que Jesus esclarecesse a Ananias o que pretendia com esse obstinado judeu/fariseu: “Vai, porque este é para mim um instrumento escolhido para levar o meu nome perante os gentios e reis, bem como perante os filhos de Israel; pois eu lhe mostrarei quanto lhe importa sofrer pelo meu nome”. (Atos 9.15,16)

Ananias foi onde estava Paulo e disse: “Saulo, irmão, o Senhor me enviou, a saber, o próprio Jesus que te apareceu no caminho por onde vinhas, para que recuperes a vista e fiques cheio do Espírito Santo”.  (Atos 9.17)

Imediatamente Paulo passou a ver, levantou-se e foi batizado. Depois comeu, sentiu-se fortalecido e permaneceu alguns dias em Damasco.

CONCLUSÃO E APLICAÇÃO

Foi Deus quem fez ser Saulo o que era antes de sua conversão. E Deus agiu assim para mostrar que:

Religião não pode salvar. Somente Jesus tem esse poder. Saulo era um exemplo como homem religioso, mas mesmo assim, ele precisou ser encontrado pelo próprio Cristo. Ele não argumentou, não discutiu, não murmurou; ele simplesmente, como se espera de um regenerado, teve sua história totalmente mudada. 

Ninguém é suficientemente ruim que não possa ser salvo. Saulo mostrou sua crueldade na perseguição que empreendeu contra os cristãos. Entendemos que sua ação cruel contra a Igreja era na realidade um ato de extremado zelo por Deus, mas era um ato injustificável.

Ninguém é tão “justo” que não necessite do salvador. Saulo era um homem que, em sua religião, era um exemplo de piedade, mas mesmo assim ele estava completamente perdido.

A conversão é um processo doloroso de humilhação. Saulo viu luz, mas ficou cego, caiu por terra e precisou de outras mãos para conduzi-lo ao seu destino. Os humilhados, todavia, serão exaltados, aqui e no porvir.

Jesus muda o homem e o homem transformado por Jesus, tem sua agenda mudada. Somos salvos para servir, sermos santos e irrepreensíveis. Somos salvos para vivermos para a glória daquele que nos salva. Aleluia! Depois de Jesus jamais seremos as mesmas pessoas que fomos antes dele.

Nossa conversão (regeneração) é um ato divino. Podemos intelectualmente compreender que somos pecadores, mas não temos forças para abandonar o pecado como uma prática prazerosa. Essa disposição somente Deus é capaz de produzir através da regeneração.

Quem persegue a Igreja; quem persegue ao cristão, está perseguindo o próprio Cristo que neles está representado.

Precisamos estar convencidos de que sofrer por Cristo está na agenda divina do cristianismo. “...eu lhe mostrarei quanto lhe importa sofrer pelo meu nome”. Paulo escreveu: “Porque vos foi concedida a graça de padecerdes por Cristo, não somente de crerdes nele, pois tendes o mesmo combate que vistes em mim e, ainda agora, ouvir que é o meu”. (Filipenses 1.29,30)

Saulo ficou três dias sem comer, beber, e completamente cego. Eu me ponho a pensar o que não deve ter passado na mente de Saulo nesses três dias de escuridão. Imagino que ele olhou para dentro de si mesmo e pode ver claramente o quanto ele estava errado a respeito de Jesus de Nazaré, o quão injusto ele havia sido com Estevão e os demais cristãos aos quais aprisionou e até foi responsável por suas mortes. Parece que ao ser batizado e cheio do Espírito Santo sua cegueira acabou e ele pode ver claramente o que Deus tinha planejado para ele.

Ananias deu demonstração de amor cristão ao aceitar batizar e acolher a Saulo. A Igreja deve estar atenta ao recebimento e acolhimento dos novos convertidos. 

E a esse respeito veremos nos próximos atos nesse livro de Atos dos Apóstolos.

Que Deus nos abençoe.

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